quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

eu disseminado - 2


11.12.13

Deixo tudo pra depois: a fala e o silêncio. Minha mente grita no jejum dos meus sentidos. Esquento e requento o café, sento entre bules e xícaras, olho a janela:
Dia cinza, tarde de chuva tímida, como o que há em mim.

Me ocupo das imagens, me preocupo em como mostrar o vento e me canso de não poder compartilhar, sou honesta em minha solidão: sinto o prazer de mergulhar neste cansaço, mas também sinto o peso imenso do descompasso que há entre as horas solitárias e os meus sentidos cheios de tudo. 

Espero o vento, o sol, a chuva, uma real companhia, um presente do acaso e seus atrasos.

Desconheço o que fui, sei o que sou, mas ainda não compartilho meu renascimento e me afogo no silêncio dos amores breves que desconheci.

Reconheço como vago o longo amor que tive, tento me libertar das algemas do condicionamento, lembro de uma frase do Leminski: "algema de alma gêmea". Estou presa dentro, só me reconheço como real, olho pra fora, sinto, espero sentir e o acaso só chega no atraso.

Meus eus, nós que beijam e batem na solidão.

Quisera eu que viver fosse difícil pq o mais profundo está sempre na superfície. Tenho todas as armas pra lidar com a verdade, mas nenhuma para lutar contra um mundo apático.

Faço planos de não fazer planos, sento novamente na cozinha de casa, tomo café, amo meu trabalho, não ganho dinheiro suficiente, não gasto meu tempo, não me admiro com o vão.

E todos vão, e eu fico... a olhar pela janela, karma de Carolina, ver o mundo nascer e morrer pela janela, pelos olhos tristes de uma canção batida, abatida pela esperança de ser realmente tocada, sufocada pelos sentidos.

Veja bem, sou honesta em minha solidão,
me canso de não esperar, do atraso do acaso...

... e meus sentidos jejuam em um grito sussurrado, surrado pela verdade que um dia tive e já não encontro.

Compartilhar, há tensão, atenção: compartilhar é tudo que espero do acaso.

Eu disseminado.

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