quinta-feira, 25 de novembro de 2010

cessa são,
fim!
cega mente
só no
amanhã será
se diz persa
algo dão
a fiar
voa dor
nú vem

po eira nem beira
que mera ser
mito lógico

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

bandoleiro

sua versão dos fatos,

minha aversão

a todos os seus atos

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

sabedoria vale mais do que ciência

Contem suas vantagens
contos sublimes da escória

que aponta todas as lanças
mas não dá sequer um lance,
um risco para um longo alcance

a fuga de ser árbitro
se assemelha ao medo
e o terror é apenas instinto,

logo, é mais bicho e menos gênio

terça-feira, 10 de agosto de 2010

arcaico como tudo

arcaico como orvalho congelado
reprodução de tantos ares
tantas águas de nuvens quantas posso lembrar

arcaico como quem quer tudo
e no fim nada alcança

morre na ponta dos pés,
tocando um pedaço de céu imaginário

esta não sou eu,
veja bem,
apenas uma extensão
do que nem sempre quero

desacato

lancei com tirania,
todos os meus dados,

e todas suas inúmeras faces
se tornaram um,

aquilo tudo que posso chamar:
eu

domingo, 18 de julho de 2010

buraco-negro

minha vigília adormece
logo que perco a sensibilidade

sentinela de estrela,
minha mira acerta todos os alvos,

mas jamais protege minha tenda

que se esconde atrás do sereno da noite

que, inocente e imponente,

brilha diante do abismo

negligência

suaviza minha intensidade discreta
antes que minha calma seja breve

olhe para dentro de mim
antes que eu mesma já não enxergue

quinta-feira, 15 de julho de 2010

impermanência

abro os braços,
tenho frio

respiro fundo.

abraço o mundo,
e já não me alcanço

forasteira de mim mesma,
presumo meus mapas,

prevejo meus desertos,

renuncio.

terça-feira, 29 de junho de 2010

dia cinza

transgredir o fluxo
e progredir à sua margem e imagem

ou

progredir o fluxo
e transgredir à sua margem e imagem?

sábado, 15 de maio de 2010

fobia


eu tenho um receio patológico,

que insiste e persiste em mim,

desígnio de um deus grego qualquer

contra as purgações de males de outréns


hipotéticamente

meus bons modos não permitem verdade humana

quero que guardem para si o vil


deixem para o instinto somente o vão


assim dormirá em mim

pã nicotizado

além mais adiante

descender

ascender

transcender


disseminado

disse estar minado

corpo cheio de pequenas possíveis explosões,

buraquinhos da alma que se expandirão,

até se propagar pelo infinito extravagante e extraordinário

até lavrar e explorar o mineral mais puro

a divindidade em si

uno disseminado