terça-feira, 27 de março de 2012

o amor e eu

vamos misturar as essências
e descobrir o perfume breve
da flor

depois despedaça-la
e fazer tudo diferente

terça-feira, 6 de março de 2012

horação



não quero ser mineral polido,
nem sujeito indeterminado.

nem amável lembrança,
nem suave deleite.

nem animal inanimado,
esperando o clandestino caçador,
nas emboscadas do destino.

quero partir do conhecer,
e me embrenhar nas matas
estrangeiras do que sou
e do que pode ser.

quero a perseverança de um átomo,
o culto iluminado de um satélite natural.

quero o vento, a tempestade,
simplesmente ser, simplesmente estar.

quero estar sólida,
ainda que seja em nuvem tentando
matar a sede da terra.

e se o teu codinome é amor,
e se o teu nome é verdade,
e tua maior virtude é crer,
e teu maior defeito é duvidar

e

se te invocam deus,
entre risos, gritos e ritos,
se te chamam energia,
se te rodeiam em fogo,
se te ajoelham em sangue,
se te entoam em fumaça,
em vazio ou em reino dourado

é porque és tu,
que move a (du) vida

mas já não sabes amor,
deus ou ego.

doença ou sorte,
és a imensa porção
de realidade,
que posso sentir.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

deixar uma parte
levar outra

mais leve seria desfazer a troca

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

suas palavras são coloridas
as minhas cinzas

tudo é vice versa

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

vid barre-ti

dispersa dispersa
vai a nú vem

brilha, dança
com o reflexo de um sol qualquer

ela sabe seu mistério,
nada existe

fantoche das ilusões sagradas

engano

o âmago brilha
e dança
conforme o giro infinito
do compasso universal

do descompasso humano

da beleza escondida que não existe
e por isso é aclamada

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

cenografia da noite

Passos no vazio da noite,
ritmo do som do vento entrando nos meus pulmões

exatamente nessa hora a vida parece mentira.

as luzes amareladas,
os sons preenchendo todas as dimensões

para que meus olhos, que sempre contemplam o futuro
acreditem no que vão deixando para trás.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

comprimido

abrir os olhos,
enquanto a retina reconhece,
o peito espreme,

meu peito comprimido,
pedra de gelo perdida na manhã
que oprime de maneira rude.

comprimido,
comprimedo.

todo dia acordar
e reaprender
(ou andar em círculos),
o novo eu

e a vida de outra maneira.

há tensão
no desamparo.

o amor só não resiste,
quando alguém renuncia.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

amendoas
a
gotejar
despejar
a cadência da estrela

até não sobrar nada

faltou cor